Notebook Gamer Lenovo LOQ é bom? Vale a pena?
Um dos pacotes mais bem montados do notebook gamer de entrada no Brasil.
Atualizado em

Prós
- RTX 3050 de 6GB rodando a 95W, o teto da placa
- Tela com 100% sRGB e 300 nits, rara na faixa
- i5-13450HX tem 10 núcleos, não 8 como os rivais
- 16GB já em canal duplo (2x8GB), não 8GB single
- Bateria de 60Wh com carga de 50% em 30 minutos
Contras
- RTX 3050 é Ampere: sem geração de quadros do DLSS 3
- 2,5 a 3,5 horas de bateria em uso leve
- 2,38 kg mais fonte de 170W na mochila
- 512GB somem rápido com jogos AAA instalados
Análise completa
Introdução
O Lenovo LOQ 15IRX9 na configuração 83KH0006BR é a versão mais acessível de uma linha que a Lenovo criou justamente para ficar abaixo da Legion sem virar um notebook comum com placa de vídeo enfiada dentro. A receita aqui é Intel Core i5-13450HX, GeForce RTX 3050 de 6GB, 16GB de DDR5, SSD de 512GB e uma tela de 15,6 polegadas Full HD a 144Hz. No papel parece igual a meia dúzia de rivais da mesma faixa — e é aí que este modelo engana, porque as diferenças estão em detalhes que quase nunca aparecem no anúncio.
São três, e vale entender antes de comparar preço com qualquer outra máquina. A primeira é o processador: o 13450HX é um chip da linha HX, derivado de desktop, com 10 núcleos e 16 threads. Os concorrentes diretos nesta faixa costumam trazer o i5-13420H, que é um chip de notebook comum com 8 núcleos e bem menos cache. A segunda é a placa de vídeo: a RTX 3050 aqui é a de 6GB de VRAM — a memória exclusiva da placa, onde ficam texturas e cenários — e roda com 95W de TGP, que é o teto de potência que essa placa aceita. Muita máquina da mesma faixa entrega a mesma RTX 3050 travada em 50W ou 70W, e a diferença de desempenho entre uma coisa e outra é grande. A terceira é a tela, e é a mais fácil de sentir no dia a dia: 300 nits de brilho e 100% de cobertura sRGB, quando o padrão da categoria é 250 nits e algo entre 60% e 65% de sRGB.
O contrapeso existe e é honesto: a RTX 3050 é uma placa da geração Ampere, de 2022, e não tem a geração de quadros do DLSS 3 que as RTX 40 trazem. Na mesma faixa de preço já é possível encontrar máquinas com RTX 4050, e quem compra pensando em rodar lançamentos AAA nos próximos anos precisa colocar isso na balança. Fora isso, o LOQ é um notebook gamer de 2,38 kg que anda com uma fonte de 170W junto e não passa de três horas e meia longe da tomada. Isso não é defeito — é o que a categoria é. A pergunta é se o conjunto justifica o que estão pedindo por ele.
Análise por critério
Toque para ver os detalhesDesempenho (processador + RAM)8O i5-13450HX é o motivo pelo qual esta máquina compete acima do que o nome "i5" sugere. Ele é um chip da linha HX, o que na prática significa um processador de desktop adaptado para notebook: são 10 núcleos (6 de desempenho e 4 de eficiência), 16 threads e 20MB de cache, contra os 8 núcleos e 12MB do i5-13420H que domina esta faixa de preço.
A diferença aparece em tudo que usa vários núcleos ao mesmo tempo — compilar código, renderizar vídeo, rodar software de engenharia com o jogo minimizado — e aparece também na estabilidade de taxa de quadros em jogos que dependem muito do processador, que é o caso de qualquer título competitivo com muita gente na tela. A memória acompanha e é um acerto discreto desta configuração: os 16GB vêm como dois pentes de 8GB, ou seja, canal duplo desde o primeiro boot — os dois módulos conversando com o processador em paralelo, o que praticamente dobra a velocidade de acesso à memória. Boa parte da concorrência ainda sai de fábrica com 8GB em pente único e cobra do comprador um upgrade imediato para não engasgar. Aqui isso não é necessário, e quem já usa o aparelho para jogar e rodar programas pesados ao mesmo tempo confirma que ele não trava nem reclama. A placa de vídeo é o ponto que exige mais atenção, e por um motivo positivo antes do negativo. Esta RTX 3050 é a variante de 6GB e roda em 95W, que é a potência máxima que a NVIDIA libera para ela — muito acima dos 50W a 70W em que a mesma placa aparece travada em chassis mais finos. O resultado é uma placa que entrega o que ela realmente pode: em Valorant, algo em torno de 120 FPS no ultra e acima de 150 no alto, o suficiente para aproveitar os 144Hz da tela; cerca de 150 FPS em GTA V; algo em torno de 60 FPS em God of War; e na faixa de 45 a 60 FPS em Cyberpunk 2077 no médio sem ray tracing, subindo para a casa dos 55 a 75 com o DLSS ligado — a tecnologia da NVIDIA que renderiza o jogo numa resolução menor e reconstrói a imagem final por inteligência artificial. Os 6GB de VRAM também importam: é o que separa "roda no médio" de "roda no médio engasgando", porque quando a memória da placa estoura o jogo passa a usar a RAM do sistema, muito mais lenta, e o sintoma é textura carregando atrasada e queda brusca de fluidez. Com 4GB isso já acontece hoje em vários lançamentos; com 6GB, ainda não. O limite real é a geração. A série RTX 30 não tem geração de quadros, o recurso do DLSS 3 que cria quadros intermediários por IA e é hoje o que mantém placas de entrada rodando jogos novos com folga. Uma RTX 4050, que existe nesta mesma faixa de preço, tem. Para jogo competitivo e para AAA dos últimos anos no médio, o LOQ resolve com sobra; para lançamentos pesados de 2027 e 2028, a placa mais nova vai envelhecer melhor.
Tela8,5Esta é a maior surpresa da máquina e o item que mais destoa da faixa para cima. O painel é IPS Full HD de 144Hz — até aí, padrão —, mas ele entrega 300 nits de brilho e 100% de cobertura do espaço sRGB, enquanto o painel típico de um gamer de entrada fica em 250 nits e cerca de 62% de sRGB.
Em termos práticos: a tela do LOQ reproduz o espectro de cores inteiro que um monitor comum consegue, e a concorrência reproduz pouco mais de três quintos dele. A diferença não é sutil. Cor de pele em jogo, vermelho de interface, gradiente de céu — tudo o que fica lavado nos rivais aparece saturado aqui. O brilho de 300 nits também muda o uso. Não é tela de usar ao ar livre, mas em sala bem iluminada ou perto de janela ela se defende, e isso é justamente a reclamação mais frequente de quem compra notebook gamer barato. O acabamento é antirreflexo, os ângulos de visão são bons e o retorno de quem usa o aparelho é consistente em citar a qualidade de imagem como um dos pontos altos. A consequência prática vale ser dita porque muda o público do aparelho: com 100% de sRGB, este notebook serve para editar foto, mexer com design e trabalhar com cor de verdade, coisa que um gamer de entrada normalmente não permite. Estudante de arquitetura ou de design que precisa de placa dedicada para renderizar e de tela confiável para apresentar trabalho encontra aqui as duas coisas na mesma máquina. O que ainda falta para o painel ser irretocável é pouco: a taxa fica nos 144Hz enquanto parte da concorrência já flerta com 165Hz, e a resolução para em Full HD — que, diga-se, é a escolha certa para esta placa de vídeo.
Bateria6,5São 60Wh, o que já é mais generoso do que os 48Wh a 57Wh que a maioria dos gamers de entrada traz. O problema é que o i5-13450HX é um chip HX, derivado de desktop, e ele come bateria proporcionalmente ao que entrega em desempenho.
A conta fecha em algo entre 2h30 e 3h30 em navegação e trabalho de escritório com o brilho controlado, e em torno de uma hora e meia jogando. É uma autonomia mais curta do que a de rivais com processadores de linha H, que consomem menos e chegam a passar de quatro horas em uso leve — o LOQ trocou eficiência por núcleos, e isso tem preço. Há dois atenuantes reais. O primeiro é a carga rápida: o aparelho chega a 50% de bateria em cerca de meia hora, o que na prática resolve a maior parte dos casos de "esqueci de carregar" e vale mais no dia a dia do que meia hora extra de autonomia. O segundo é o chip LA1, que a Lenovo colocou para distribuir energia entre processador e placa de vídeo conforme a carga do momento, e que ajuda a segurar o consumo fora do jogo. Compradores confirmam o padrão geral: elogiam desempenho e velocidade e apontam a bateria como o ponto fraco, o que é a descrição justa do aparelho. Vale registrar um detalhe prático que gera confusão na compra. A fonte desta configuração é de 170W, e está correta — os 230W que aparecem em anúncios do LOQ são das versões com RTX 4060, que consomem mais. Já houve comprador achando que recebeu a fonte errada por causa disso. O que continua valendo é o de sempre na categoria: jogar na bateria reduz o desempenho, então esta é uma máquina para usar em cima de uma mesa com tomada por perto, e o conjunto de 2,38 kg mais um carregador desse tamanho não é o que se leva para a faculdade todo dia sem reclamar.
Construção / teclado / trackpad7O chassi é plástico Luna Grey com montagem firme, dobradiça sem folga e visual contido — o LOQ não tem o exagero de linha gamer barata, e a Lenovo submeteu a família aos testes MIL-STD-810H, o padrão militar de resistência a queda, vibração, umidade e temperatura.
Com 2,19 a 2,39 cm de espessura, ele é mais fino que a média da categoria, e os 2,38 kg são o preço disso somado ao sistema de refrigeração. O teclado é ABNT2 completo com bloco numérico e retroiluminação branca de uma zona — funcional, confortável para digitar por horas, mas sem RGB, o que alguns rivais oferecem no mesmo preço. O trackpad é preciso o bastante para o uso fora do jogo, que é o que se pede dele numa máquina em que o mouse é obrigatório. A webcam é Full HD, um degrau acima do 720p que ainda domina a faixa, e faz diferença real para quem usa o notebook em chamada de trabalho ou aula. O que segura a nota é a refrigeração, e aqui é preciso separar duas coisas. A primeira é o ruído, que é consistente e esperado: a ventoinha vai ao máximo assim que o jogo carrega e não desce, e é uma queixa recorrente entre donos do aparelho — fone de ouvido deixa de ser opcional em sessão longa. Fora do jogo, em navegação e trabalho, a máquina fica bem mais discreta e a maioria descreve o comportamento como tranquilo. A segunda é mais séria e merece atenção na compra. Há registro de unidade com aquecimento fora do normal, com o processador batendo entre 95°C e 100°C mesmo em tarefas leves e entrando em redução de desempenho por temperatura — o que causa lentidão geral e travamento. É caso isolado e não representa o comportamento da máquina: a maior parte dos donos relata temperaturas na casa dos 60°C a 70°C em uso comum e nenhum problema. Mas é uma falha grave o bastante para valer trinta minutos de checagem na primeira semana. O conselho prático é direto: nos primeiros dias, rode um jogo pesado por meia hora com um monitor de temperatura aberto e confira onde o processador estabiliza. Se passar dos 95°C em tarefa leve, é caso de troca dentro do prazo da loja, que é sempre mais rápido do que acionar a garantia depois.
Armazenamento / expansibilidade8O SSD de fábrica é NVMe PCIe 4.0 de 512GB, rápido no que importa — Windows abrindo em segundos e jogo carregando sem espera.
A máquina sai com dois slots SO-DIMM ocupados por pentes de 8GB e um segundo slot M.2 livre, ambos acessíveis por baixo da tampa inferior. Trocar os dois pentes leva a 32GB sem esforço, e módulos que somam 64GB aparecem nas listas de compatibilidade dos fabricantes de memória, ainda que acima do que a Lenovo documenta oficialmente. Adicionar um segundo SSD é procedimento de dez minutos que não exige reinstalar nada. A ressalva é o tamanho do disco de fábrica, e ela é concreta. Com o Windows instalado sobram algo em torno de 450GB reais, e dois ou três jogos AAA modernos consomem isso inteiro — Call of Duty sozinho passa de 100GB. Quem tem biblioteca grande vai encostar no teto no primeiro mês. Vale entrar na compra já contando com um SSD extra no orçamento, e vale confirmar o formato antes de comprar a peça: o LOQ usa slots que aceitam tanto o M.2 2242, mais curto, quanto o M.2 2280, mais comprido, e há unidades que saem de fábrica com um drive 2242 montado sobre um adaptador. Abrir a tampa e olhar antes de encomendar o SSD evita comprar a peça errada — é o erro mais comum nesse upgrade específico.
Suporte / software7,5O software de fábrica é comportado, e isso conta a favor. O Windows 11 Home vem acompanhado do Lenovo Vantage, que centraliza perfis de desempenho, controle de ventoinha, atualização de drivers e a ativação do modo Balanceado que aciona o chip LA1.
É um utilitário leve, longe do peso de pacotes equivalentes da concorrência, e o LOQ não chega carregado de bloatware — a máquina começa a ser usada sem uma faxina de desinstalação. A Lenovo mantém a linha atualizada com regularidade e disponibiliza os drivers de forma organizada na página de suporte do modelo. O pós-venda no Brasil é o ponto mais forte da Lenovo entre os fabricantes desta faixa, e vale dar o crédito. A empresa mantém reputação máxima no Reclame Aqui, com nota 8,4 de 10 no último semestre, 90,5% das reclamações resolvidas e um tempo médio de resposta de pouco mais de doze dias — melhor do que o de concorrentes diretos, onde a espera passa das duas semanas. Entre quem chegou a reclamar formalmente, quase 79% dizem que voltariam a comprar da marca, o que é um número alto para esse tipo de amostra. O que impede a nota de subir mais é a rede física de assistência, que aparece com frequência entre as queixas: encontrar um centro autorizado é difícil fora das capitais, e o prazo de reparo se estende quando o notebook precisa viajar. Some a isso o relato de recusa em substituir aparelho com defeito de aquecimento, com a empresa oferecendo apenas reparo — vale lembrar que, pelo Código de Defesa do Consumidor, defeito não sanado em 30 dias dá ao comprador o direito de escolher entre troca, devolução do valor ou abatimento no preço. A garantia é de 1 ano, o que aqui não conta como demérito: é o que toda a concorrência direta oferece no Brasil.
Custo-benefício8Vale a pena se sair até R$ 6.500 — dentro disso ele entrega mais processador, mais memória de vídeo em uso pleno e uma tela muito melhor do que qualquer rival direto pelo mesmo dinheiro.
O que faz esse limiar se sustentar é a soma de vantagens que nenhum concorrente da faixa reúne ao mesmo tempo. Os rivais diretos — Acer Nitro V15 e ASUS TUF Gaming A15 — costumam sair com processador de 6 a 8 núcleos, painel de 250 nits com cerca de 62% de sRGB e, nas versões mais baratas, 8GB de RAM em pente único; o TUF, em algumas configurações, ainda traz a RTX 3050 na variante de apenas 4GB, rodando em 70W a 75W. O LOQ chega com 10 núcleos, 16GB em canal duplo de fábrica, 6GB de VRAM rodando nos 95W completos e uma tela de 100% sRGB. É diferença suficiente para mudar o que a máquina consegue fazer, não só o número na ficha. O contraponto honesto é a geração da placa. Nesta mesma faixa existe o Acer Nitro V15 com RTX 4050, que traz DLSS 3 com geração de quadros e vai envelhecer melhor diante de lançamentos pesados — em troca de um processador mais fraco e de metade da memória RAM. A escolha é essa e é clara: quem joga competitivo, mexe com cor ou quer a máquina mais completa hoje leva o LOQ; quem só quer rodar AAA novo pelo maior tempo possível leva a 4050.
Veredito final7,6 Lenovo LOQ 15IRX9 83KH0006BR fecha com nota 7,6/10 e é, hoje, um dos pacotes mais bem montados do notebook gamer de entrada no Brasil.
Ele acerta justamente onde a categoria costuma economizar escondido: um processador HX de 10 núcleos em vez do H de 8 que todo mundo usa, a RTX 3050 na variante de 6GB rodando nos 95W completos em vez de travada, 16GB em canal duplo de fábrica em vez de 8GB em pente único, e uma tela de 300 nits com 100% de sRGB no lugar do painel lavado de praxe. Some a expansibilidade — dois slots de RAM e um M.2 sobrando — e o melhor pós-venda entre os fabricantes da faixa, e o conjunto se explica sozinho. Os limites são conhecidos e a maioria é da categoria, não deste aparelho: 2,38 kg mais uma fonte de 170W, ventoinha que sobe e não desce durante o jogo, e uma autonomia de 2h30 a 3h30 em uso leve que fica até abaixo da média dos rivais, porque o processador de desktop cobra em bateria o que entrega em núcleos. Dois pontos são específicos e merecem atenção real: o registro de unidade com aquecimento anormal, que justifica um teste de temperatura nos primeiros dias, e a dificuldade de encontrar assistência autorizada fora das capitais. A recomendação prática: se você joga competitivo, roda AAA no médio, estuda engenharia ou arquitetura, ou trabalha com qualquer coisa em que a cor da tela importe, este é o notebook a comprar nesta faixa — orce um SSD para o slot livre junto e confira o formato antes de encomendar a peça. Se o plano é rodar lançamentos AAA pesados pelos próximos três ou quatro anos e nada mais, o caminho é o Acer Nitro V15 na versão com RTX 4050, que tem a geração de quadros do DLSS 3 que a série 30 não tem — você abre mão do processador, da memória e da tela, mas ganha a placa que envelhece melhor. E se a ideia é carregar o notebook para a faculdade todos os dias, considere que 2,38 kg mais o carregador é um compromisso diário que muita gente subestima na hora da compra.
Ficha técnica
| Processador | Intel Core i5-13450HX |
|---|---|
| Memória RAM | 16 GB |
| Armazenamento | 512 GB |
| Tela | 15,6 " |
| Bateria | 60Wh |
| Peso | 2.38 kg |





