Samsung Galaxy Book4 é bom? Vale a pena?
O Samsung Galaxy Book4 é a tentativa da Samsung de vender portabilidade de ultrabook num preço que não é de ultrabook.
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Prós
- Chassi de metal com 1,55 kg e 15,4 mm
- Carrega por USB-C com fonte de 45W
- Roda frio e silencioso: 41°C em uso normal
- Integração com celular Galaxy (Multi Control, Quick Share)
- Slot M.2 livre para um segundo SSD
Contras
- 8GB de RAM soldados, sem upgrade possível para sempre
- Teclado desta versão não tem retroiluminação
- Sem leitor biométrico (só a versão i7 tem)
- Webcam de 720p, fraca para videochamada profissional
Análise completa
Introdução
O Samsung Galaxy Book4 na versão NP750XGJ-KG3BR é a tentativa da Samsung de vender portabilidade de ultrabook num preço que não é de ultrabook. Ele traz um Intel Core i5-1335U de 13ª geração, 8GB de RAM, SSD de 512GB e Windows 11 Home num corpo de metal com 15,4 milímetros de espessura e 1,55 kg — números de chassi que normalmente aparecem em máquinas bem mais caras, e que aqui vêm acompanhados de uma tela de 15,6 polegadas Full HD IPS antirreflexo.
A proposta fica clara quando se olha a lista de portas. Num corpo tão fino, a Samsung ainda encaixou uma porta de rede RJ-45 Gigabit, duas USB-C, duas USB-A, HDMI, leitor de microSD e entrada de fone. É uma combinação incomum: notebooks finos costumam sacrificar exatamente a porta de rede, e quem trabalha em escritório com cabo, ou mora em lugar de Wi-Fi instável, sabe o quanto isso importa. Somada à carga por USB-C com fonte de 45W — que permite usar o mesmo carregador do celular numa emergência —, a máquina se posiciona como um notebook de trabalho móvel de verdade.
O problema mora numa linha da ficha técnica: os 8GB de memória são LPDDR4X soldados na placa, sem nenhum slot. Não é o caso de "vem com pouco e você aumenta depois" — é o teto definitivo do aparelho, para todo o ciclo de vida dele. Num notebook de faixa intermediária vendido acima dos R$ 4 mil, onde boa parte da concorrência entrega 16GB de fábrica, essa escolha define quem deve e quem não deve comprar esse modelo. O restante do conjunto é bem resolvido: roda frio, roda silencioso, a bateria de 54Wh entrega uma jornada honesta e o acabamento é o melhor da faixa.
Análise por critério
Toque para ver os detalhesDesempenho (processador + RAM)6,5O i5-1335U é um processador de linha U, de 15W, com 10 núcleos divididos em 2 de performance e 8 de eficiência, somando 12 threads. É um chip pensado para eficiência energética antes de força bruta, e cumpre bem esse papel: navegador com muitas abas, pacote Office, videochamada, IDE aberta e streaming rodam com fluidez, e quem programa ou trabalha com planilhas grandes não vai sentir falta de potência no dia a dia.
Compradores confirmam a impressão, descrevendo a máquina como rápida e capaz de lidar com vários aplicativos ao mesmo tempo sem engasgar. A parte gráfica também está acima do básico: a Iris Xe de 80 EUs é a versão completa da integrada da Intel, bem superior ao UHD Graphics que aparece em boa parte dos rivais, e dá conta de jogos leves como Valorant, CS2 e The Sims 4 em configurações modestas, além de edição de vídeo em Full HD sem pressa. O que segura a nota são os 8GB de RAM — e não pela quantidade em si, mas pelo fato de serem definitivos. Há um detalhe técnico a favor: por ser LPDDR4X soldada, a memória opera em canal duplo, o que dobra a banda disponível em relação a um notebook com um único pente de 8GB e beneficia diretamente a Iris Xe, que depende da memória do sistema. Na prática, esses 8GB rendem mais do que os 8GB de vários concorrentes. Mesmo assim, é pouco para o Windows 11 em 2026, e a queixa mais consistente entre compradores é justamente essa: a memória aperta em multitarefa mais pesada, e não há nada a fazer quanto a isso. A leitura prática é simples. Se o seu uso é escritório, estudo, navegação, videochamada e programação em projetos de porte moderado, esse processador e essa memória atendem com folga por vários anos. Se você abre máquina virtual, trabalha com edição pesada, roda contêineres ou simplesmente é do tipo que deixa quarenta abas abertas, esta configuração vai te limitar desde o primeiro mês — e a versão de 16GB da mesma linha existe justamente para isso.
Tela7O painel de 15,6 polegadas Full HD é IPS com acabamento antirreflexo, e essa combinação resolve bem o uso pretendido. O tratamento fosco faz diferença real em escritório com luz de teto ou perto de janela, evitando o efeito espelho que atrapalha em painéis brilhantes, e os ângulos de visão do IPS permitem mostrar a tela para um colega ao lado sem que a imagem lave.
Entre compradores, a tela aparece com frequência na lista de pontos positivos, com elogios à nitidez e ao equilíbrio entre áreas claras e escuras — e quem trabalha com edição de foto casual relata conseguir enxergar detalhes de sombra que se perdem em painéis mais baratos. A ressalva é a falta de números. A Samsung não divulga brilho em nits nem cobertura de cor deste painel, e isso não é detalhe irrelevante: sem esses dados, é impossível garantir que a tela sirva para trabalho em que a cor precise estar correta, e a ausência de divulgação em geral indica um painel de especificação padrão, não um destaque. A taxa de atualização é de 60Hz, o esperado para a categoria, e a proporção é 16:9 — em 2026, vários concorrentes já entregam 16:10, que rende mais linhas de texto e de planilha na mesma diagonal. Para consumir conteúdo, estudar, escrever e programar, esse painel entrega o que precisa; para design profissional, ele é uma aposta sem informação suficiente.
Bateria7,5A bateria de 54Wh é o ponto em que a escolha por um processador de linha U se paga. Em uso moderado — navegação, documentos, videochamada com brilho na metade — a máquina entrega algo entre 6 e 8 horas, o suficiente para atravessar um dia de aula ou uma jornada de escritório com uma recarga rápida no meio.
Com o brilho no máximo e uso mais exigente, a autonomia cai para a faixa de 5h30, e sob carga pesada, como um jogo ou uma exportação de vídeo, ela despenca para cerca de 3 horas. É uma curva normal e previsível, e o número de uso moderado está acima do que a maioria dos rivais de 15 polegadas nessa faixa consegue. O carregamento é onde ele ganha pontos extras. A fonte de 45W enche a bateria em cerca de 1h30, e o mais importante: ela é USB-C. Isso significa que qualquer carregador USB-C de potência decente — inclusive o do celular ou um power bank robusto — funciona como plano B, e você viaja com um cabo só. É uma conveniência que notebooks com conector redondo proprietário simplesmente não oferecem, e que muda a rotina de quem trabalha fora de casa. Há um ponto que merece atenção antes da compra. Existe um volume relevante de relatos, espalhados pela linha Galaxy Book como um todo, de degradação precoce de bateria — usuários que receberam avisos do sistema de que a bateria não podia mais ser usada com segurança após um tempo de uso modesto. Não é um defeito confirmado especificamente nesta configuração, e a maioria dos compradores não passa por isso, mas é o tipo de padrão que vale conhecer, sobretudo porque a bateria não é uma peça que o usuário troca em casa neste chassi.
Construção / teclado / trackpad7,5Aqui está o melhor argumento do Galaxy Book4, e é um argumento visível já ao tirar da caixa. O chassi é de metal, com 15,4 milímetros de espessura e 1,55 kg — para um notebook de tela de 15,6 polegadas, isso é notavelmente fino e leve, e coloca essa máquina numa categoria de portabilidade que a concorrência plástica da faixa não alcança.
Compradores citam a leveza e o design fino entre os pontos mais elogiados, com relatos consistentes de firmeza no conjunto e ausência daquele range de chassi barato. A refrigeração merece destaque próprio, porque é excelente e raramente comentada. Em uso normal, processador e gráficos ficam na casa dos 41°C, e mesmo em uso intensivo dificilmente passam dos 60°C — temperaturas baixas que mantêm a ventoinha praticamente inaudível e o apoio de mão frio. Quem digita horas seguidas ou trabalha com o notebook no colo sente essa diferença todo dia. O único cenário em que a térmica aperta é jogo pesado por período longo, que não é a vocação da máquina. O teclado é ABNT2 com bloco numérico completo, tem teclas silenciosas e curso confortável para digitação prolongada. Duas ausências pesam nesta configuração específica: não há retroiluminação — recurso que aparece em outras versões da linha, mas não nesta — e não há leitor biométrico, exclusivo da configuração com i7. Para quem estuda ou trabalha à noite, a falta da luz no teclado incomoda de verdade. O touchpad, de aproximadamente 12 x 8,3 cm, é preciso e de tamanho adequado, mas tem um defeito de projeto conhecido: a região superior responde mal ao clique físico, então vale se acostumar a clicar na metade de baixo. Os alto-falantes estéreo de 2W com Dolby Atmos fecham a lista de compromissos — têm volume máximo baixo e praticamente nenhum grave, o que torna o fone quase obrigatório para música e filme. A webcam de 720p é funcional para reunião interna, mas fica devendo para quem faz videochamada com cliente.
Armazenamento / expansibilidade6 SSD de 512GB NVMe é rápido e adequado, com inicialização do Windows em segundos e transferência de arquivos sem espera — nesse quesito não há reparo a fazer, e a capacidade é confortável para a maioria dos usos.
Há também um segundo slot M.2 livre de fábrica, o que permite adicionar outro SSD sem remover o original. É uma vantagem concreta sobre boa parte dos ultrafinos, que costumam trazer um único slot ocupado ou até armazenamento soldado. O que derruba a nota é a memória. Os 8GB são soldados na placa, sem qualquer slot, e isso é irreversível: não existe upgrade, hoje ou daqui a três anos. Num notebook de entrada isso passaria; num aparelho de faixa intermediária vendido acima dos R$ 4 mil, é uma limitação séria, porque a memória é justamente o componente que envelhece mais rápido diante das exigências crescentes do sistema e dos navegadores. Vale registrar também que a desmontagem deste chassi é trabalhosa — a tampa inferior exige cuidado e há risco de danificar clipes plásticos —, então mesmo o upgrade de SSD, que é tecnicamente possível, não é uma operação para qualquer um, e mexer ali antes do fim da garantia é assumir um risco.
Suporte / software6O software de fábrica é dos mais limpos da categoria. O Windows 11 Home vem com o pacote de utilitários da própria Samsung, sem a enxurrada de bloatware de terceiros que ainda aparece em concorrentes, e quem já usa celular Galaxy ganha um benefício real: o Multi Control permite controlar o celular ou tablet com o teclado e o mouse do notebook, o Quick Share transfere arquivos entre os aparelhos sem cabo nem nuvem, e a continuidade entre dispositivos funciona com fluidez.
É um diferencial legítimo, e provavelmente o motivo mais forte para escolher essa marca se o resto do seu ecossistema já é Samsung. Os drivers ficam disponíveis no site de suporte e recebem atualizações com regularidade. O ponto fraco é o pós-venda, e ele é consistente o bastante para pesar na nota. A assistência técnica da Samsung para notebooks no Brasil acumula um histórico ruim de prazos e de resolução: relatos de aparelhos que ficam de 5 a 7 dias úteis apenas na etapa de análise, de defeitos recorrentes que voltam da autorizada sem solução, e — o mais grave — de trincas espontâneas de tela classificadas como "dano físico" e recusadas na garantia. Boa parte desses casos envolve os modelos Pro e Ultra, mais caros, mas a estrutura de atendimento é a mesma para toda a linha. Isso não significa que a máquina vá dar defeito: a recepção geral é boa, com médias entre 4,1 e 4,7 de 5 em algumas centenas de avaliações nos canais oficiais e nos marketplaces, o que indica um produto majoritariamente confiável. Significa que, se der problema, o caminho para resolver tende a ser mais longo que o desejável — e a garantia é de apenas 1 ano, o piso do mercado.
Custo-benefício7Vale a pena se sair até R$ 4.100 — o conjunto de portabilidade, silêncio e conectividade justifica o preço mesmo com os 8GB soldados.
Contra a concorrência direta da faixa, ele perde e ganha em coisas bem diferentes. Rivais como o ASUS Vivobook 15 com i5 de 13ª geração e o Acer Aspire 5 entregam 16GB de RAM, e continuam sendo a escolha mais racional para quem quer folga de multitarefa — é a vantagem mais concreta que existe contra este modelo, e ele não tem resposta para ela. Só que nenhum deles chega perto do que o Galaxy Book4 oferece em portabilidade: chassi de metal com 15,4 mm e 1,55 kg numa tela de 15,6 polegadas é território de ultrabook, e a concorrência plástica da faixa é sensivelmente mais grossa e pesada. Some a isso três coisas que praticamente ninguém entrega junto nesse preço — porta RJ-45 num corpo ultrafino, carga por USB-C de 45W e uma térmica tão contida que a ventoinha quase não é ouvida — e fica claro qual é o público. Este é um notebook para quem carrega a máquina todo dia e valoriza acabamento, silêncio e conveniência acima da folga de memória.
Veredito final6,9O Samsung Galaxy Book4 NP750XGJ-KG3BR fecha com nota 6,9/10 e é um notebook de personalidade clara: ele acerta em tudo que se sente na mão e erra num número da ficha técnica.
O chassi de metal com 1,55 kg e 15,4 mm, a refrigeração silenciosa que mantém a máquina fria, a bateria de 6 a 8 horas em uso moderado com carga por USB-C, a porta de rede num corpo tão fino e a integração com o ecossistema Galaxy formam um conjunto que a concorrência da faixa não reproduz. Como máquina de trabalho móvel para escritório, estudo, navegação e programação de porte moderado, ele é agradável de usar todo dia. O erro é grande o suficiente para exigir uma decisão consciente antes da compra: 8GB de RAM soldados, sem slot, sem upgrade, para sempre. O canal duplo da LPDDR4X faz esses 8GB renderem mais que os 8GB da maioria dos rivais, e para uso de escritório eles bastam — mas é um teto permanente numa faixa de preço em que a concorrência entrega 16GB. Somam-se a isso a ausência de retroiluminação no teclado, o som fraco, a webcam de 720p e um pós-venda Samsung com histórico ruim de prazos. A recomendação é direta. Se você valoriza portabilidade, acabamento e silêncio acima de tudo, seu uso é leve a moderado e o preço estiver até uns R$ 4.100, essa é uma compra que você não vai se arrepender no dia a dia. Se o orçamento permitir esticar, a versão de 16GB da mesma linha resolve o único defeito grave do conjunto e é o caminho mais inteligente. E se a prioridade for potência de multitarefa pelo menor preço, aí a concorrência com 16GB e slot de expansão entrega mais notebook pelo mesmo dinheiro — só que num corpo bem menos elegante.
Ficha técnica
| Processador | Intel Core i5-1335U |
|---|---|
| Memória RAM | 8 GB |
| Armazenamento | 512 GB |
| Tela | 15,6 " |
| Bateria | 54Wh |
| Peso | 1,55 kg |





