ASUS Vivobook Go 15 é bom? Vale a pena?

É um notebook honesto dentro de um escopo bem definido: para estudar, escrever, navegar, assistir aula online e usar pacote de escritório.

6,2

Atualizado em

ASUS Vivobook Go 15 foto 1

Prós

  • Leve para um 15,6\": 1,63 kg e 1,7 cm
  • Bateria de 42Wh rende 5 a 7 horas reais
  • Certificação MIL-STD-810H

Contras

  • RAM soldada: 8GB é o teto definitivo
  • Painel TN, com cores lavadas e ângulos ruins
  • Teclado sem retroiluminação
  • Ryzen 5 7520U é Zen 2, arquitetura antiga

Análise completa

Introdução

O ASUS Vivobook Go 15 E1504FA-NJ731 é daqueles notebooks que aparecem em toda lista de "melhor custo-benefício" — e que merecem uma olhada mais atenta antes da compra. A ficha impressiona para o preço: AMD Ryzen 5 7520U, 8GB de RAM LPDDR5, SSD NVMe de 256GB, tela de 15,6" Full HD e apenas 1,63 kg num corpo de 1,7 cm de espessura, com certificação militar de resistência. É a linha de entrada da ASUS, vendida sem Windows para chegar mais barato à prateleira.

Vale começar pela estratégia de compra mais comum com esse modelo, porque ela é boa e merece ser dita com todas as letras: comprar a versão com Linux justamente porque ela é mais barata e instalar o Windows depois. Faz sentido. O sistema que vem de fábrica é o KeepOS, um Linux enxuto que a ASUS usa para não pagar a licença embutida, e uma licença avulsa de Windows 11 Home custa hoje algo em torno de R$ 110 em revendedor — bem menos do que a diferença de preço que os fabricantes costumam cobrar pelo modelo já com Windows. O SSD é trocável, a ASUS publica os drivers do modelo para Windows, e a instalação é o procedimento comum de qualquer notebook AMD: pendrive de boot e pronto. Este review avalia o aparelho considerando esse caminho, que é o que a maioria dos compradores realmente vai seguir.

Dito isso, dois detalhes de projeto não têm conserto depois — e um deles fica pior justamente quando o Windows entra. O "Ryzen 5 7520U" soa como um chip da geração 7000, mas é da família Mendocino, construída sobre a arquitetura Zen 2, a mesma de 2019: são 4 núcleos e 8 threads, contra os 6 núcleos e 12 threads de rivais com Ryzen 5 5500U, um chip mais velho no papel e mais rápido na prática. E a memória é soldada na placa: os 8GB de fábrica são o máximo que esse notebook terá para sempre — sem slot, sem upgrade, nunca. Trocar o KeepOS pelo Windows 11 significa entregar de 3 a 4GB desses 8GB fixos só para o sistema operacional respirar, e essa é a principal consequência de uma decisão que, no mais, é acertada.

Análise por critério

Toque para ver os detalhes
Desempenho (processador + RAM)6,5O Ryzen 5 7520U dá conta do recado no uso para o qual esse notebook foi feito, e faz isso com pouca energia. Navegar com uma dúzia de abas abertas, escrever no Word ou no Google Docs, assistir vídeo em 1080p, participar de videochamada, mexer em planilha de tamanho normal — nada disso o faz engasgar.

Quem vem de um Celeron ou de um notebook com HD mecânico vai sentir uma diferença enorme. A memória LPDDR5 a 5500 MHz ajuda bastante aqui: é bem mais rápida que a DDR4 que ainda domina a faixa de entrada, e compensa em parte o número modesto de núcleos. O que segura a nota é a arquitetura combinada com o teto de memória. Zen 2 com 4 núcleos e 4MB de cache é pouco para 2026, e aparece justamente quando o uso aperta: compilar código, rodar uma máquina virtual, exportar vídeo ou manter trinta abas com o Spotify e o Teams ao lado são cenários em que ele encosta no limite e começa a arrastar. A Radeon 610M, com apenas duas unidades de computação, roda o desktop com fluidez e reproduz vídeo em 4K sem esforço, mas jogo atual está fora de questão — o que dá para jogar são títulos leves e mais antigos, em configurações baixas. Compradores confirmam esse retrato: os relatos são de uma máquina rápida e silenciosa para estudo e escritório, com quem tentou usá-la para edição de vídeo ou multitarefa pesada saindo frustrado.

Tela5Esse é o ponto mais fraco do conjunto, e é onde a economia aparece com mais clareza. O painel é TN — a tecnologia mais barata e mais antiga em uso — e isso se traduz em ângulos de visão ruins e cores lavadas.

Na prática: incline a tela alguns graus a mais ou olhe de lado e o contraste desmorona, com as cores invertendo na parte de baixo do painel. Duas pessoas assistindo a um filme lado a lado já é uma situação desconfortável. Os 45% de cobertura NTSC, algo em torno de 63% do espaço sRGB, confirmam o que o olho percebe: menos de dois terços das cores que um monitor comum reproduz. Vale um alerta de compra aqui: parte dos anúncios desse modelo descreve a tela como "LCD LED FHD nível IPS". A expressão não significa nada tecnicamente e o painel entregue é TN mesmo — é uma reclamação que se repete entre compradores que confiaram na descrição. Se o painel importa para você, saiba de antemão o que vai chegar. O que salva a nota de cair mais é o resto do pacote. A resolução é Full HD de verdade, e não o 1366x768 que ainda infesta a faixa de entrada — em 15,6 polegadas, isso significa texto nítido e espaço real para duas janelas lado a lado. O acabamento antirreflexo funciona bem sob luz de teto de escritório ou sala de aula. E os 250 nits de brilho servem para ambiente interno, mas não para perto de janela em dia claro nem para uso ao ar livre.

Bateria7,5Aqui o Zen 2 cobra o troco a favor do usuário, e esse é o critério em que o aparelho mais se destaca. O processador consome pouco, e a bateria de 42Wh rende bem mais do que o número sugere: em uso moderado — navegador, documentos, música, brilho em torno da metade — a faixa realista é de 5 a 7 horas, o suficiente para um turno de aula ou uma manhã inteira de trabalho longe da tomada.

Para dimensionar o feito: é comum encontrar concorrentes de 15,6 polegadas com bateria maior, de 50Wh, que entregam menos tempo real porque carregam processadores mais sedentos e pesam 300 ou 400 gramas a mais. Fazer mais com menos capacidade e menos peso é mérito de projeto, não sorte. Em uso leve, com poucas abas e brilho baixo, dá para esticar além disso; com videochamada, streaming pesado ou muitas abas simultâneas, cai para perto de 4 horas. O complemento prático é a carga rápida: cerca de 60% em uns 50 minutos, e carga completa em torno de uma hora e meia. Quem tem intervalo entre uma aula e outra recupera boa parte da autonomia nesse tempo. A limitação chata é o carregamento: só pelo conector redondo de 45W. A porta USB-C do aparelho é apenas de dados e vídeo — não aceita Power Delivery — então esqueça a ideia de carregar o notebook com o mesmo carregador do celular ou com uma powerbank. Perder o carregador original significa procurar uma peça específica.

Construção / teclado / trackpad6,5O corpo é todo de plástico, sem qualquer pretensão de luxo, mas cumpre bem a proposta que dá nome à linha: com 1,63 kg e 1,7 cm de espessura, esse é um dos 15,6 polegadas mais fáceis de carregar que se acha no Brasil. Passa o dia na mochila sem pesar, o que é raro numa tela desse tamanho.

A ASUS ainda submeteu o aparelho aos testes MIL-STD-810H, o padrão militar de resistência a choque, vibração e variação de temperatura — não é um notebook à prova de queda, mas é uma validação a mais para quem transporta o equipamento todo dia. Há alguma flexão na tampa e na base quando se aperta, o esperado num chassi plástico nessa faixa. O teclado é ABNT2 completo, com bloco numérico e curso de 1,4 mm, e resolve para escrever textos longos — mas é a parte menos caprichada do aparelho: o toque é raso e um pouco mole, sem o retorno firme de teclados melhores, e não há retroiluminação, o que incomoda de verdade quem estuda ou trabalha à noite. O touchpad é preciso e responde bem a gestos, mas é pequeno para um notebook de 15,6 polegadas, especialmente se comparado aos touchpads generosos que a concorrência passou a adotar. Os alto-falantes são o ponto fraco previsível: dão conta de videoaula e chamada de vídeo, mas não têm grave nem volume para preencher um cômodo. A webcam de 720p é modesta para o padrão atual, embora venha com tampa física de privacidade, um detalhe que muito concorrente mais caro ainda não oferece. Em compensação, o aparelho é notavelmente silencioso — o processador esquenta pouco e a ventoinha raramente se manifesta.

Armazenamento / expansibilidade4,5O SSD de 256GB é NVMe e deixa o sistema ágil no dia a dia: liga rápido, abre programas sem espera, e é um mundo de diferença em relação a qualquer disco mecânico.

A ressalva técnica é que ele usa apenas duas linhas PCIe 3.0, o que limita a velocidade máxima a algo em torno da metade do que um SSD comum entrega hoje — na prática ninguém percebe isso navegando e escrevendo, mas quem move arquivos grandes com frequência vai notar. O tamanho é o problema mais imediato, e piora com a troca de sistema: uma instalação do Windows 11 com os aplicativos de sempre já consome perto de 60GB, contra bem menos do Linux de fábrica. Sobra menos espaço do que os 256GB do anúncio sugerem. A boa notícia é que esse componente é justamente o único trocável. O slot M.2 aceita um SSD maior, e a troca é simples — quem já vai formatar tudo para instalar o Windows pode aproveitar a mesma sessão e trocar o disco antes, evitando fazer o trabalho duas vezes. Um SSD de 512GB ou 1TB resolve o problema de espaço de forma definitiva. O que derruba a nota é a memória. Os 8GB de LPDDR5 vêm soldados diretamente na placa, sem nenhum slot livre — não existe upgrade possível, nem hoje nem daqui a três anos. É a diferença entre um notebook que envelhece com você e um que envelhece contra você: quando 8GB deixarem de bastar, a única saída será trocar de aparelho. Boa parte da concorrência direta na mesma faixa de preço permite pelo menos dobrar a memória, e isso pesa bastante numa decisão de compra pensada para durar.

Suporte / software6O KeepOS é o sistema que vem de fábrica: uma distribuição Linux enxuta que a ASUS instala para entregar o notebook sem custo de licença do Windows. Para quem vive de navegador, LibreOffice, Google Docs e streaming, ele funciona, é leve, arranca rápido e tem a vantagem genuína de não trazer bloatware nenhum.

Mas é justo dizer o que se vê de quem fica com ele: há um padrão consistente de relatos de aparelhos que param na tela inicial após uma atualização do sistema, de teclado ABNT2 não reconhecido corretamente (com teclas como a interrogação simplesmente sem funcionar) e de máquinas que não chegam ao modo gráfico depois da configuração inicial. Pior que os defeitos é o atendimento: a ASUS trata o KeepOS como um sistema à parte, sem suporte telefônico, atendendo apenas por e-mail — e a central técnica costuma responder com procedimentos de Windows a quem está com problema no Linux. A ASUS mantém inclusive uma página de perguntas frequentes dedicada só a problemas do KeepOS, o que dá a dimensão de quanto o assunto aparece. Por isso mesmo, trocar o sistema não é só uma preferência: é a forma de eliminar de saída o maior risco dessa compra. A licença avulsa de Windows 11 Home sai por volta de R$ 110 em revendedor, um valor que não desmonta o orçamento. O que impede a nota de subir mais é o suporte de hardware, que continua igual independente do sistema que você rodar: a garantia é de 1 ano, o piso do mercado, e o reparo de notebooks da ASUS no Brasil é centralizado em São Paulo, com envio pelos Correios — o que significa semanas sem o aparelho para quem mora longe. A reputação geral da marca no país é boa, então não se trata de esperar problema; trata-se de saber que, se ele vier, a solução é lenta.

Custo-benefício5,5Vale a pena até uns R$ 2.600, e na casa dos R$ 2.800 não vale — nesse patamar, as duas limitações que nunca poderão ser corrigidas passam a custar caro demais.

A estratégia de comprar com Linux e instalar o Windows é boa e continua boa: a licença sai por cerca de R$ 110 e a troca leva uma tarde, então o problema não está no plano, está no preço de partida. Perto dos R$ 3.000 já aparecem máquinas com Ryzen 5 5500U — seis núcleos e doze threads contra os quatro do 7520U — tela IPS de verdade, memória em slot expansível bem além dos 8GB e, em vários casos, Windows já incluso. É exatamente onde este aparelho não tem resposta: ele não perde só em uma spec, perde nas duas que o comprador nunca vai poder corrigir, e o desconto do Linux deixa de compensar quando a diferença de preço para esses rivais fica pequena. O trunfo que ele mantém em qualquer valor é a portabilidade combinada com autonomia — os concorrentes de 15,6" com processador mais forte costumam pesar de 1,8 a 2 kg e passar menos tempo longe da tomada. Como o modelo entra em promoção com frequência, a recomendação prática é simples: espere a oferta em vez de pagar o preço de tabela.

Veredito final6,2O ASUS Vivobook Go 15 E1504FA-NJ731 fecha com nota 6,2/10 na configuração e no preço avaliados. É um notebook honesto dentro de um escopo bem definido: para estudar, escrever, navegar, assistir aula online e usar pacote de escritório, ele faz o trabalho, e faz carregando pouco peso na mochila e aguentando de 5 a 7 horas fora da tomada — mais do que boa parte dos rivais maiores e com bateria nominalmente melhor.

A certificação militar, o silêncio, a carga rápida e a facilidade de trocar o sistema são qualidades reais. O que não fecha é a conta na casa dos R$ 2.800. Os 8GB soldados são o teto permanente da máquina — e o Windows 11 sozinho consome metade disso —, o painel TN entrega cores e ângulos ruins mesmo para o padrão da faixa de entrada, e o processador Zen 2 já nasceu uma geração atrás. Nesse mesmo dinheiro existem notebooks com seis núcleos, tela IPS e memória expansível, que é justamente onde este não tem como responder. A recomendação é direta: se conseguir por até R$ 2.600, compre e siga com o plano do Windows — é uma boa máquina leve para estudo e escritório. Nos R$ 2.800 pedidos hoje, espere uma promoção ou coloque o dinheiro em um modelo com slot de memória e tela IPS. E, em qualquer preço, não é o notebook certo para quem quer jogar, editar vídeo ou trabalhar com cor.

Ficha técnica

ProcessadorAMD RYZEN 5 7520U
Memória RAM8 GB
Armazenamento256 GB
Tela15,6 "
Bateria42Wh
Peso1,63 kg